quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Hay que endurecerse, mi general!


Hay que endurecerse, mi general!



Exclama a prostituta, num assomo de divertido compadecimento, diante do outrora imponente chefe da nação, que segura tristemente seu outrora empedernido - cabisbaixo, agora - órgão sexual, enquanto olha de soslaio para a cápsula azul. "Si al menos fuese roja..." - pensa, com suas insígnias e medalhas, o ex-comandante. Súbito, ergue-se, empertiga-se, apruma-se, fita a parede e solta a voz: "Compañeros del Ejército Rebelde y de las Milicias Nacionales Revolucionarias, cubanos todos: Duro y largo ha sido el camino, pero hemos caminado..." Muitas horas discursivas depois, suado, extenuado, observa, oco e sem sentimento, o corpo nu da puta adormecida, mal esculpido por implacáveis cinzéis, carregado de disformes marcas violáceas, frutos de trabalhos passados. Deixa alguns pesos sobre o criado-mudo, ao lado do pequeno rádio de pilha donde, alheio e clandestino, Mano Chao entoa "Por El Suelo". A ilha amanhece, vermelha, mais uma vez.

Carlos Cruz - 23/09/2008

Um comentário:

Klaus disse...

O melhor dessa leitura é a ânsia de rir quando do final dela. E a busca por outras, é claro.

Profissa.