segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Réquiem de Despedida





Sentia um profundo pesar enquanto amarrava a corda na viga. Sentou-se e tocou um trecho do Réquiem em ré menor de Mozart. Não queria ter chegado a esse ponto, mas as dívidas acumularam-se, os cobradores não lhe davam sossego. Agora não havia mais retorno, estava decidido a acabar com aquele sofrimento de uma vez por todas, descansar em paz. Aplicou um puxão na corda, não podia arriscar seu rompimento no instante crucial. Estava firme. Respirou fundo, fez uma breve oração pedindo perdão a seus antepassados. Chegara a fatídica hora...
Chamou os homens que aguardavam do lado de fora do apartamento. Rompeu em prantos quando o velho piano Steinway iniciou a descida.

Carlos Cruz - 08/06/2007

3 comentários:

Marcelo disse...

Adorei.

Ma você sabe que a relação nossa com o instrumento musical é uma coisa de fetiche? Quando eu dei uma trombada com o meu violoncelo em uma beirada do portal, doeu como doeria ao bater a cabeça de um filho numa beirada...
foi dor física...
veno piano ir embora.. meu Deus. Como deve doer.

Rita Medusa disse...

Muito bem escrito,as tessituras de nossas várias mortes
gênio você moço...

Rita Medusa disse...

Muito bem escrito,as tessituras de nossas várias mortes
gênio você moço...