sábado, 9 de junho de 2007

O Fenômeno


Iniciou a arrancada no meio do campo. Driblou o primeiro, o segundo, o terceiro, deu uma rápida olhadela em direção ao gol adversário, escolheu o canto, chutou e fez o gol. Os espectadores, às margens do campo, foram ao delírio.
A explosão da bomba de gás lacrimogênio, lançada pelos policiais do Batalhão de Choque, interrompeu a comemoração. Um a um, os presos foram se sentando, nus, no pátio do presídio, enquanto os bombeiros recolhiam o corpo no interior da cela 53, e aquela massa disforme, cabeluda, suja de terra e sangue, que estava no fundo da rede.

Carlos Cruz – 07/06/2007

3 comentários:

Paulão Fardadão disse...

Legal esse. Diferento, assassino, popular.

Doctor t. disse...

Quem disse que os estádios não assemelhamm-se à presídios ?

Ficou massa esse nano !

virou especialista hein ?

Adriana Rodrigues disse...

Nossa...Lembrei de Carandiru...